Entrevistas

Entrevista para Revista MIX Niterói – agosto 2013

Tema: Você possui uma visão positiva?

MIX


E quem apresenta o TDAH?

É mais facilmente identificado em crianças e adolescentes, por ser a hiperatividade e impulsividade nesta faixa etária mais comuns, porém ele é encontrado em adultos também, só que nos adultos há mais características de desatenção do que hiperatividade. Estima-se que cerca de 3 a 5% das crianças na idade escolar apresentem hiperatividade e/ou déficit de atenção. O diagnóstico antes dessa idade é raramente feito, pois o comportamento das crianças nessa idade é muito variável, e a atenção não é tão exigida quanto a de crianças maiores. Mesmo assim, algumas crianças desenvolvem o transtorno numa idade bem precoce. Na infância, o transtorno é mais comum em meninos e predominam os sintomas de hiperatividade. Com o passar dos anos, os sintomas de hiperatividade tendem a diminuir, permanecendo mais frequente a desatenção, e diminuindo a proporção homem versus mulher, que passa a ser de um para um.

O TDAH na infância em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. As crianças são tidas como “problemáticas”, “vivem no mundo da lua”,  com “bicho carpinteiro” ou “ligados por um motor” isto é, não ficam quietas. Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites, o que afetará sua vida futura.

Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, são muito esquecidos. Alguns são inquietos, vivem mudando de uma coisa para outra e também podem se apresentar impulsivos reagindo sem pensar e cometendo erros. Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e isto afeta os demais à sua volta.

Quando não tratados, existe uma prevalência alta de problemas associados com o uso ou abuso de  álcool e drogas, assim como de ansiedade e depressão.

Como ele se desenvolve?

Geralmente o problema é mais notado quando a criança inicia atividades de aprendizado na escola, pelos professores das séries iniciais, quando o ajustamento à escola mostra-se comprometido. Durante o início da adolescência, o quadro geralmente mantém-se o mesmo, com problemas predominantemente escolares, mas no final da adolescência e início da vida adulta, o transtorno pode acompanhar-se de problemas de conduta (mau comportamento) e problemas de trabalho e de relacionamentos com outras pessoas. Porém, no final da adolescência e início da vida adulta, ocorre melhora  dos sintomas, na maioria dos casos tratados adequadamente por um psicólogo.

O que causa?

Estudos científicos mostram que portadores de TDAH têm alterações na região do lobo frontal e as suas conexões com o resto do cérebro, responsável pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento. O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).
A genética e a hereditariedade são citadas nos estudos sobre TDAH como 75% dos componentes que o causam.

Como se diagnostica?

O diagnóstico deve ser feito por um profissional de saúde capacitado, geralmente neurologista, psiquiatra ou psicólogo. O diagnóstico é sempre  auxiliado por alguns testes psicológicos ou neuropsicológicos feitos por um psicólogo, posteriormente o acompanhamento adequado do tratamento com psicólogo credenciado.

Com se trata?

O tratamento do TDAH deve ser multimodal, ou seja, uma combinação de medicamentos, orientação aos pais e professores, e a psicoterapia que irá ensinar ao portador a lidar com suas limitações. A psicoterapia que é mais indicada para o tratamento do TDAH chama-se Terapia Cognitivo Comportamental. Deve haver um acompanhamento do progresso da terapia, através da família e da escola. A psicoterapia deve ser mantida, na maioria dos casos, pela necessidade de atenção à criança (ou adulto) devido à mudança de comportamento que deve ocorrer com a melhora dos sintomas, pelo aconselhamento que se deve fazer aos pais e professores da melhor forma de lidar com o problema.

Um aspecto fundamental desse tratamento é o acompanhamento da criança, de sua família e de seus professores, auxiliando na reestruturação de seu ambiente, reduzindo sua ansiedade. E utilizar um modelo claro e previsível de educação, onde a criança ou adolescente possa aprender a se organizar.

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